Licitação de agências de publicidade pelo governo do DF gera grande polèmica
10/02/1012 - (por Fernando Vasconcelos*) A licitação que o Governo do Distrito Federal abriu para a contratação de Agências de Publicidade continua gerando polêmica nos bastidores da capital da república. Quando do lançamento do certame, o Tribunal de Contas do DF resolveu questionar 18 itens do edital, o que motivou o adiamento da licitação e a renovação dos contratos com as agências Agnelo Pacheco, Agência Nacional e AV Comunicação licitadas no governo anterior, que tem o direito – de acordo com as regras estabelecidas – de atender o governo até 2013.
Contratos renovados e o edital liberado pelo TCDF, o mercado publicitário local esperava, com ansiedade, que o número de agências a serem contratadas passasse a ser 5 ou 6, e não 3 agências para atenderem uma verba de 180 milhões de reais.
As agências de propaganda estabelecidas no mercado trabalham num “cenário de instabilidade” com relação a esta licitação, pois acham que ela está mais política do que técnica. Algumas agências já começam a pensar em desistir da concorrência. Explico: o nome das três agências “vencedoras” é pronunciado cotidianamente pelos quatro cantos de Brasília, para a tristeza de dezenas de agências que gostariam de ter uma oportunidade e frustrando milhares de profissionais ávidos para expressar suas qualidades em planejamento, criação, atendimento e mídia.
Alguns profissionais justificam que tudo não passa de boatos. Aí eu fico com o ditado popular que diz “que todo boato tem um fundo de verdade”. E se der as três citadas no boato? O Ministério Público do DF já sabe o que fazer. Pior. Tudo pode voltar à estaca zero.
Em qualquer outro mercado deste País, seja no Norte, Nordeste, Sul ou Sudeste, existe a proteção de reserva de mercado. Os representantes dessa atividade econômica e as suas entidades de classe (com o apoio de seus Deputados Estaduais e Vereadores) não permitem de forma alguma “agências de fora” ou “agências pára-quedistas” entrarem no processo licitatório. Algumas até entram e não conseguem sucesso.
Aqui acontece ao contrário. Uma agência não estabelecida em Brasília que trabalhou apoiando os candidatos proporcionais da coligação vencedora nas eleições passadas lhe é dado o “direito” de ter uma ou duas contas de órgãos ou estatais do Governo do Distrito Federal. Pergunto: isso é correto?
O governador Agnelo Queiroz, seu grupo político e a Secretaria de Publicidade Institucional marcariam um belo ponto se alterassem para 5 ou 6 agências o número de empresas que dividiriam “o bolo” de 180 milhões/ano.
Dar oportunidade de mais agências trabalharem para o Governo do Distrito Federal fortalecerá muito o mercado publicitário local, fazendo gerar um volume de emprego considerável e conquistará a simpatia e gratidão de uma classe de empresários e trabalhadores que, com muito trabalho, sacrifício, fé e ousadia alavancam o crescimento e o desenvolvimento de todo o Distrito Federal. Sem contar que o mercado terá condições de oferecer oportunidades de serviços ao valoroso parque gráfico do DF, às empresas produtoras de som e imagens e dezenas de médias e pequenas empresas prestadoras de serviços de mídia e, principalmente, para os formandos dos cursos de Publicidade e Marketing que são colocados no mercado de trabalho.
Quero crer que seja do conhecimento do Governador e do Secretário de Publicidade Institucional, Abimael Nunes, que em outros estados brasileiros o bolo da verba publicitária é costumeiramente dividida em, no mínimo, 5 e no máximo 8 agências de publicidade, e com uma verba bem menor do que a utilizada pelo Governo do Distrito Federal.
Meu caro governador Agnelo Queiroz e caro Secretário Abimael Nunes, ainda há tempo de tomar uma atitude legal, visionária, justa e sábia, colocando por terra todo o sugestionado protecionismo de grupos políticos, que podem muito bem ser atendidos em outras esferas, deixando a nossa “paróquia publicitária” e o nosso “bolo publicitário”, pois somos pagadores de impostos, geradores de empregos, profissionais nascidos no Distrito Federal e cheios de ideias para alavancar o progresso da nossa cidade amada por todos nós, moradores, pioneiros e também eleitores.
*Fernando Vasconcelos é Jornalista, Publicitário, Bacharel em Direito. Ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Publicidade (9 anos). Ex-vice presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Publicidade (3 anos). Ex-diretor da CONTCOP – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comunicação e Publicidade (6 anos)


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